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Cerca de 70% dos servidores recorreram a empréstimos nos últimos dois anos, no Rio

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Káthya Almeida prefere não mostrar o rosto, masorganizou as finanças com um planejador Foto: Pollyanna Brêtas

Atravessar uma crise financeira sem receber o salário em dia é o drama de servidores estaduais que decidiram se unir e formar um grupo para aprender a poupar. A meta é guardar o equivalente a uma remuneração mensal. A proposta do coordenador de Educação Financeira do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Luiz Antônio Leal, é formar um colchão de reserva para os meses de incerteza em relação ao pagamento e para os casos de emergência.

O projeto, porém, tem um desafio a mais: restabelecer a saúde orçamentária dos funcionários públicos que já estão endividados. Cerca de 70% do funcionalismo estadual recorreram ao crédito consignado nos últimos dois anos, segundo estimativas feitas pela Escola de Educação Financeira.

As categorias que mais têm empréstimos são policiais militares e bombeiros, seguidos por professores e pensionistas. Por isso, cerca de 40 servidores da Educação, do Rioprevidência e da Assembleia Legislativa do Rio passaram a se reunir na Alerj, quinzenalmente, para compartilhar desafios pessoais e receber orientações.

— Se organizar com a instabilidade e as mudanças nos pagamentos dos vencimentos é complicado. Mas consegui me planejar para pagar minhas dívidas mais caras até dezembro. Ainda assim, vou precisar de mais três anos para quitar as contas com todos os credores. O mais difícil é conter os impulsos e fazer certos sacrifícios pessoais. Eu voltei a morar com minha mãe para poupar o dinheiro do aluguel — disse a servidora Káthya Almeida, de 58 anos.

Durante os encontros, o grupo faz sessões de terapia em que experiências pessoais são compartilhadas.

— Um terço do grupo tem um nível de endividamento grave. Quando esses servidores recebem seus salários, o dinheiro só dá para um ou dois dias. Por isso, a ideia de economizar um salário será desenvolvida ao longo de um ano — disse o consultor financeiro Luiz Antônio Leal.

O endividamento afeta o planejamento das aposentadorias.

— Há servidores adiando seus pedidos de benefício por conta de dívidas — declarou a coordenadora do grupo na Alerj, Geiza Rocha.

Consignado complementa a renda

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Carlos Batalha vai orientar policiais militares Carlos Batalha vai orientar policiais militares Foto: Fabio Guimaraes / Fabio Guimaraes
Ocupando a primeira posição do ranking com o maior número de consignados, policiais militares participarão, amanhã, de um curso de planejamento oferecido pela Escola de Educação Financeira. Entre as orientações para quem quer aprender a negociar dívidas, está a opção de portabilidade de empréstimos para instituições financeiras com taxas de juros menores, além de dicas de organizações especializadas em ajustar orçamentos familiares.

— Nós já promovemos esta discussão com o Corpo de Bombeiros e, agora, vamos orientar os policiais. Muitos servidores passaram a complementar suas rendas com os consignados, e chegaram a ultrapassar o limite legal de 30% (de comprometimento do salário com a prestação). Muitos bancos oferecem ampliações dos prazos de pagamento, mas isso é um erro. É preciso buscar trocar uma dívida mais cara por outra mais barata — disse Carlos Batalha, gestor da escola.

Segundo ele, há servidores que se inscreveram em mais de nove cursos gratuitos oferecidos pela instituição, por causa do elevado nível de comprometimento orçamentário. A Escola de Educação Financeira propõe um desafio para iniciar uma poupança em 52 semanas. Confira abaixo:

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Segundo a Secretaria estadual de Fazenda, hoje, existem 236 mil ativos, inativos e pensionistas com créditos consignados no Rio, de um total de 472 mil vínculos.

Um decreto estadual publicado em janeiro deste ano ampliou de 60 para 84 meses o prazo máximo para amortizações de empréstimos pessoais, cartões de crédito e financiamentos concedidos por instituições financeiras ou entidades abertas ou fechadas de previdência complementar para os servidores. De acordo com a Secretaria estadual de Planejamento, o decreto não alterou nenhum contrato em vigor. Isso significa que as parcelas continuam sendo descontadas normalmente dos contracheques dos funcionários.

Bombeiro militar fez planejamento para virar milionário

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Cabo Anderson poupa 10% da remuneração todo mês Cabo Anderson poupa 10% da remuneração todo mês Foto: Pollyanna Brêtas

Um livro abandonado dentro do carro por mais de um ano mudou a vida de um cabo do Corpo de Bombeiros. O militar Anderson Carvalho Santos, de 34 anos, foi seduzido por uma obra sobre planejamento financeiro empoeirada, que prometia transformá-lo num milionário com economias mensais, investimentos e disciplina na hora dos gastos. Ele usou a Calculadora do Cidadão, disponível no site do Banco Central (BC), para estimar o tempo necessário para atingir seu objetivo. A ideia é depositar 10% da remuneração mensal e poupar o 13º salário pelos próximos 18 anos.

Além disso, será preciso aplicar as economias em fundos de investimento. No cálculo, o cabo Anderson, há oito anos no Corpo de Bombeiros, também levou em consideração as progressões de carreira dentro da corporação.

— O livro foi o primeiro passo, mas também fiz cursos na Escola de Educação Financeira e já dei palestras a colegas que não conseguem organizar seu orçamento. Muitos ficam impressionados de ver como consigo passar pelos atrasos de salário sem sobressaltos. Não é fácil convencer a família, mas somos disciplinados e não fazemos extravagâncias — revelou o militar.

 


Assunto: Empréstimo Consignado para Servidores
Veículo: Extra Online
Data: 24/07/2016
Seção: Servidor Público
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